terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A volta para casa

Por Amanda Freitas, Renata Grota e Vanessa Thees

domingo, 24 de janeiro de 2010

Disciplina: introdução ao Bar

Alunos da Uerj, Puc-Rio e Ufrj opinam sobre seu happy hour favorito


Por George Guilherme, Lais Rangel e Andala Iara



O
público gira em torno dos 20 anos. São jovens universitários que entre aulas e provas, aproveitam o tempo livre para se reunirem em um lugar que ofereça uma boa diversão, mas sem pesar no bolso. Sem dúvidas, a eleição unânime é para o botequim. A universidade muda, mas o roteiro continua sendo o mesmo: depois de um intenso dia de ócio na faculdade, um grupo de amigos se junta e vai conversar sobre qualquer assunto no bar mais próximo.

De tão frequentados pelos estudantes, existem aqueles bares que recebem uma alcunha quase de “oficial”. É o caso do Bar Loreninha, localizado bem em frente à Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj, na Tijuca. Ele é recuado do asfalto, mas nem por isso é escondido, principalmente em dias de jogos no estádio do Maracanã. Citado no livro do jornalista Zuenir Ventura, o bar é ponto de encontro dos alunos não apenas pelo preço, mas pelo excelente humor do garçom Cicinho. Ivan, dono do estabelecimento, diz que uma vez ele contou para uma cliente que um dos garçons tinha morrido. Dias depois essa cliente encontrou o garçom na rua, acreditou que tivesse vendo seu fantasma e foi se esconder dentro de uma loja com medo. “A menina veio direto para cá xingando e rindo com o Cicinho”, completa.

Curiosamente, quinta-feira é o dia mais cheio do Loreninha, segundo Ivan. De acordo com ele, “muitos alunos não moram na cidade e viajam de volta para casa na sexta-feira”. Hipótese correta ou não, encontramos alunos de quase todos os cursos da Uerj lá. O garçom Cicinho brinca: “aqui é o único lugar do Brasil onde você vê comunista conversando numa boa com reacionário”.

A mesma estrutura pode ser transplantada para Bar do Pires ou somente “Pires”, na Gávea. Seu público é essencialmente de alunos, ex-alunos e professores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio . Burocraticamente, o lugar se chama “Bar Rainha do Mar”. Pires era o nome do antigo dono do bar, um típico português de bigode nietzschiano. Apesar de todos considerarem um autêntico botequim, o “Pires” lembra mais um Café. Carolina Backer, mestranda em Relações Internacionais da PUC-Rio, contesta a visão clássica de botequins. “Foi o tempo que para ser considerado bar era preciso ter aqueles ovos coloridos boiando em um pote. Gosto daqui porque é atrativa a ideia de você tomar uma cerveja em um lugar limpo”, afirma.

Na UFRJ, o famoso Bar Sujinho é considerado por muitos o melhor “anexo” da Universidade. A aluna Tainá Hernandes, de 20 anos, conta em uma entrevista fatos inusitados sobre a relação faculdade x bar.

O Bar Sujinho é bastante freqüentado. El e já foi, inclusive, utilizado diversas vezes para a realização de evento .A que você acha que se deve esse sucesso?

Tainá Hernandes: Com certeza ao fato de que universitário adora bar! Quando você está na escola, pensa na faculdade como um lugar emocionante, com muitas festas, bebidas, gente que só quer se divertir. É uma imagem que fica na nossa cabeça por causa dos filmes e seriados, que quase sempre mostram esse estereótipo. Quando você entra, percebe que não é bem assim o tempo inteiro, que é uma rotina estressante, principalmente pra quem mora muito longe, ou trabalha e estuda, então o jeito é extravasar no bar mesmo, pra não se frustrar tanto.
Sendo a rotina tão estressante, e com o volume elevado de trabalhos, provas e aulas que vocês têm, como sobra tempo para o bar?

TH: Aí entra o famoso jeitinho brasileiro, claro! Aliás, se tem algo em que estudantes são bons, é em jogo de cintura. Você até tem que atingir certa freqüência, fazer os trabalhos, mas sempre se dá um jeito.

LR: Como, por exemplo?

TH: Primeiro a gente vai às aulas para conhecer o professor, saber se ele faz chamada, em que horário, se passa lista, essas coisas... ou então pede pra algum veterano explicar. Funciona assim: se o professor faz chamada no fim da aula, você pode ir pro bar e chegar no fim; se faz no início, você pode sentar lá no fundo, responder e sair; se passa a lista, pede pra alguém mudar a letra, trocar a caneta e assinar por você. Aqueles que não passam lista e fazem chamada no meio da aula é que dão mais trabalho. Mas é claro que isso é uma coisa que se faz só às vezes, não dá pra faltar um período inteiro, você pode ter as técnicas, mas também precisa de cuidado pra não abusar.

LR: O público maior é formado por calouros ou veteranos?

TH: Calouro gosta de farra. Acabou de chegar na faculdade, ainda tem aquela visão de que tudo vai ser uma festa, está numa fase de querer conhecer as pessoas, querer ser parte do grupo, então sempre marcam presença por lá. Já os veteranos, vão porque aquilo ali é uma válvula de escape. Você não está mais tão empolgado com a faculdade, ou foi mal em alguma matéria – já que elas ficam mais difíceis com o tempo – ou está estressado com algum professor, então vai pro bar e relaxa. Mas a época que dá mais movimento é em começo de período. Você junta os dois grupos no mesmo lugar... Tem a questão do trote, e outros eventos de recepção de calouros que os veteranos fazem, então sempre sobra uma grana para beber. E todo mundo acaba ficando mais empolgado com uma turma nova, cheia de energia – calouros são barulhentos, risonhos, meio infantis ainda – acho que o movimento só cai um pouco entre os alunos a partir do quinto período. A maioria já começa a procurar estágio, trabalho, às vezes moram sozinhos, pagam as contas, então ficam mais cansados, ou não podem beber em dias de semana. Pelo menos ainda tenho um período pra aproveitar!

LR: Você tem alguma história marcante que envolva o Sujinho?

TH: Acontecem muitas coisas, mas acho que só quem está lá entende o que representa. Mas para destacar um caso, eu me lembro de um dia em que o professor deu uma prova, e um menino esqueceu a data e foi para o bar, estava tendo evento naquele dia. Na semana seguinte, ele disse para o professor que tinha comido algo estragado e passou mal, só que não colou, porque o professor o seguia no twitter, e na hora da prova ele escreveu algo do tipo “Sujinho bombando e todo mundo perdendo!”.

TV pública: um mal desnecessário


A polêmica contribuição da TV pública

por Fernanda Monteiro


Organizado pela Empresa Brasil de Comunicação, o seminário “Em Construção - Encontro EBC: diálogos com a sociedade civil” aconteceu no dia 2 de dezembro. O objetivo era ouvir o que o público tinha a dizer sobre os dois anos de existência da Empresa Brasileira de Comunicação. Entre os convidados, estavam presentes representantes de entidades ligadas às mídias do campo público, organizações relacionadas ao tema do direito à comunicação, à comunicação comunitária e aos produtores independentes, além de pesquisadores e representantes do Conselho Curador e da Ouvidoria da EBC.

Antônio Brasil, convidado pela organização, foi um dos nomes que compareceu ao evento. Crítico conhecido da TV Brasil, durante o debate sobre programação, o jornalista e pesquisador da UERJ declarou, mais uma vez, seu posicionamento desfavorável à TV Pública. Para ele, investir na TV pública seria um grande desperdício de recursos. O pesquisador aponta ainda os baixos índices de audiência registrados pela programação da TV Brasil como uma constatação do escasso interesse da população pelo tipo de conteúdo veiculado. Assim, Brasil afirma que se “(...) faltasse a TV pública ninguém sentiria falta, mas que se uma novela saísse do ar todo mundo iria reclamar.” - como reproduzido por Mariana Martins em seu artigo Empresa Brasil de Comunicação: Diálogo aberto com a sociedade.

A provocação do pesquisador apenas expressa o contraste entre o grande interesse do público pela programação da TV aberta e o descaso em relação à TV pública. Nesse ponto, Brasil mais uma contradição. Enquanto muitos defendem a necessidade de produzir conteúdos de boa qualidade, Brasil se pergunta: quem assiste esta “excelente” programação? Muitos elogiam a TV pública, mas sequer assistem aos programas por ela transmitidos. Segundo ele, a razão é bastante simples: na maioria dos casos, a TV serve apenas como instrumento de relaxamento e diversão. Em seu escasso tempo livre, as pessoas querem mesmo é descansar e, por isso, recusam qualquer tipo de esforço, inclusive o de caráter intelectual - como aqueles propostos pela programação “cabeça” da TV pública. Se a TV comercial - mesmo tão criticada - constitui a preferência do público, então Brasil lança a pergunta: o que é qualidade na TV? A qualidade é medida pela audiência ou pelo grau de sofisticação da programação?

Nesse cenário, Brasil critica ainda a pretensão da TV pública de oferecer um conteúdo generalista, que atenda ao interesse coletivo. No entanto, segundo o pesquisador, esse tipo de concepção vai na contramão da tendência atual, que é a TV segmentada, e não mais a TV aberta generalista. Portanto, para o jornalista, o modelo de TV pública proposto seria obsoleto. E, por isso, mais uma vez, ele fala de investimento e esforço infundados.

Durante sua participação, Brasil passou de uma consideração geral a respeito da TV pública, para analisar o cenário brasileiro específico. Para ele, a história da TV no país é marcada fortemente pelo surgimento da Rede Globo que se tornou o maior conglomerado de comunicação da atualidade. Feitas as milhares de críticas possíveis à TV Globo, cabe lembrar a preferência por ela conquistada entre os telespectadores - o que, em última instância, justifica os investimentos para ela direcionados. Em contrapartida, não se pode dizer o mesmo da TV Brasil, já que o esforço de oferecer uma “boa” programação não encontra empatia no público.

Se a audiência da TV Brasil é insignificante, então esta TV é feita para quem? O público quer uma TV pública? Afinal, o que justifica a existência da TV Brasil e o investimento que a sustenta? Algum dia a TV Brasil vai conseguir competir com a TV comercial? Estas são apenas algumas das perguntas que podemos extrair da polêmica contribuição de Antônio Brasilno Encontro promovido pela Empresa Brasileira de Comunicação.

TV boa, TV má

Por Vanessa Baptista Thees Faria


Brasília foi o palco de mais um debate sobre o passado, presente e futuro da Televisão Brasileira. No início de dezembro, foi realizado o “Encontro EBC: Diálogo com a Sociedade”, com mesas de debates discutindo sobre a Comunicação no país. Entre os palestrantes, no debate sobre “Conteúdo e Programação das Mídias Públicas, estava o professor Antônio Brasil, que levou a discussão para as salas de aula da Faculdade de Comunicação Social da UERJ.

Na conversa com seus alunos, Brasil explicou os motivos por trás do fracasso da TV Brasil, e TV Pública brasileira. A TV Brasil é uma rede de televisão pertencente à EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e acaba de completar dos anos de existência. De acordo com o professor, existem dois tipos de televisão: A TV boa, pública, que ninguém assiste e a TV má, comercial, que as pessoas reclamam, mas assistem.

Ele ainda chama atenção para um aspecto muito importante. A TV pública deve deixar de ser vista como aliada do governo, pois ela não é estatal, e deve passar a prestar serviços à sociedade, conseguindo assim ter uma identidade. A maior falha da TV Brasil, segundo o professor, é a falta de uma boa programação, baseada em pesquisas de público, experimentação e investimentos.

Até o final do ano passado, a emissora tinha uma audiência de apenas 1%. “A solução da TV Brasil é se transformar em voz do Brasil, eliminando assim, a concorrência” brinca o professor. Mas não é só a TV Pública que vem enfrentando problemas com audiência. A TV aberta também vem perdendo seu espaço, devido à tendência do desaparecimento da TV generalista e o surgimento de TVs mais segmentadas, que buscam o público de acordo com sua programação. O docente afirma que “as pessoas só assistem o que querem ver”, explicando assim o sucesso desse no tipo de TV e também, das web TVs e sites que hospedam vídeos, como o Youtube.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Antonio Brasil critica programação da TV pública em encontro da EBC


Para o Jornalista, a TV Brasil não tem identificação com a sociedade brasileira


Pamella M Lima


O Encontro EBC: Diálogos com a sociedade civil, realizado no dia dois de dezembro, em Brasília, reuniu diretores, participantes da TV pública, administrada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e críticos de televisão. Celebrando os dois anos da TV pública Brasileira, o encontro tinha a proposta de discutir questões técnicas, de conteúdo da programação e também os desafios para o aperfeiçoamento do sistema público de comunicação no país.


Entre os participantes, o jornalista Antonio Brasil foi coerente com sua postura crítica à emissora pública e teve na sua fala um dos momentos de maior tensão. Brasil também é professor adjunto da Faculdade de Comunicação Social da UERJ e apresentou aos alunos do curso de Técnicas de reportagem, entrevista e pesquisa, o conteúdo de sua intervenção em Brasília, iniciando pela hipótese de que “a TV como conhecemos hoje, generalista aberta, tende a desaparecer nos próximos anos”. Para ele, a TV do futuro, em competição com a era Youtube, deverá investir em “nichos”, no público segmentado, como TV de música, desenhos, notícias... A afirmativa foi feita com base nos anos de pesquisa sobre televisão. Antonio Brasil editou e escreveu livros sobre o tema, como A Revolução das Imagens - Uma nova proposta para o telejornalismo na era digital.


Nessa linha, Antonio Brasil questionou se a televisão pública não teria surgido tarde demais e foi além: “a TV Brasil fracassou na promessa de ser a BBC brasileira”. A emissora opera com um orçamento limitado e uma programação baseada quase que exclusivamente na grade da extinta TVE. Para o professor, uma das razões para o insucesso é a falta de criatividade e inovação na programação. Ele sugere mais experimentalismo, já que a TV pública, em tese, possui mais liberdade para errar, uma vez que esta não depende tanto da audiência quanto a comercial.


De acordo com ele, há um exagero no que classifica como mito da TV pública. “Existe um mito de que a TV pública é de qualidade e educativa, ao contrário da comercial que é de entretenimento e, até mesmo, de baixaria. Eu tenho algumas dúvidas sobre isso e até disse a eles no seminário. A TV pública é ruim para o público porque ela ignora todos os programas bons que existem na TV aberta. Qual é o parâmetro de avaliação da programação da TV pública? Na TV comercial é a audiência, mas quem faz isso de forma independente naquela?”


O professor não responsabiliza o público brasileiro pela baixa audiência da TV pública. Para ele “falta uma identidade com a sociedade brasileira”. Por essa razão, ele recomenda mais pesquisa e que o assunto seja tratado de forma técnica e menos ideológica. Segundo ele, parece que não há interesse na programação, mas que apenas exista uma TV pública. Nesse sentido, ele provoca: “primeiro, deveríamos nos perguntar o que seria televisão pública e num segundo momento, se o público realmente a deseja e está disposto a bancar, monitorar e participar de uma televisão pública de verdade”.

Televisão para quem?


Por Caroline Morais



A
EBC – Empresa Brasil de Comunicação - celebrou no último dia 02 de dezembro os dois anos de implantação da TV Brasil, a emissora pública brasileira. Em meio às comemorações Antonio Brasil, conhecido crítico da TV pública brasileira, realizou uma explanação do tema através de uma palestra e logo em seguida manifestou a sua opinião concedendo uma entrevista coletiva aos graduandos de jornalismo da UERJ, onde respondeu questões como: Qual é a verdadeira razão da existência da TV BRASIL? Como melhorar a programação de uma televisão pública no Brasil? Consciente do poder da internet, porque a TV Brasil não utiliza-se desse meio para promover-se de modo a alcançar maior participação do público?, dentre outras.


Iniciando a sua colocação, o jornalista assumiu ser apaixonado por televisão: “sou herdeiro de uma época em que a televisão era a nossa babá; víamos muita televisão”, mas, a televisão daquela época, hegemônica, universalista, está fadada a desaparecer, pois por causa da efemeridade das informações, o público tornou-se mais exigente, não aceitando o modo pouco criativo e/ou dinâmico como esta tem sido feita. Além disso, a concorrência -a internet- tem se mostrado mais eficiente na transmissão quase que instantânea da notícia.


Sendo assim, qual seria a lógica de investir em uma emissora de televisão com uma perspectiva arcaica e indiferente ao seu próprio publico? Antonio Brasil respondeu a essa pergunta com uma metáfora: “é tentar matar uma formiga com uma bazuca.” - Ter gastos desnecessários para pouco resultado.- Eu, particularmente, diria que é ser míope e tentar matar uma formiga com uma bazuca, ou seja, nem ao menos você enxerga a formiga, nem ao menos consegue visualizar o seu alvo.


A TV Brasil, tem mostrado ser míope, pois não consegue, ou melhor, não quer ver que a sua programação não alcança aquele que deveria ser o seu maior alvo: o público. E não o verá enquanto não utilizar-se da democracia para atuar, ou seja, é necessário que pesquisas de opinião sejam feitas e levadas em consideração, pois se a televisão é do público e este mesmo não participa em nenhum sentido de sua existência, algo de muito errado está acontecendo.
O fato é que a questão que envolve essa problemática é maior do que imaginamos. Para os geradores dessa TV, ser pública é um argumento que justifica ser de qualidade. O privado é ruim, pois afasta o homem daquilo que é seu por herança cultural, e isso está bem claro quando em uma matéria disposta no site da EBC afirma-se que “o canal da EBC tem uma TV pública com uma programação diferenciada, privilegiando conteúdos nacionais e regionais em suas diferentes possibilidades.” Basear-se nesse parâmetro para estabelecer qual será a programação não é um argumento suficientemente eficaz. Sobre isso Antonio Brasil afirma: “Não se produz programas (bons) de TV somente com discurso e ideologia”.


Então, como melhorar a programação de uma televisão pública no Brasil? Buscando exemplos, aconselha o jornalista, afirmando ainda que televisão de qualidade se faz com pesquisa, experimento, o que requer tempo, esforço, dedicação. “TV é coisa séria! E deve ser feita de programação e não de conceito. Se não existe uma razão para a sua existência, dificilmente se construirá uma programação de qualidade!”


Dessa forma, a salvação da Tv pública no Brasil talvez esteja na razão, então, torna-se fundamental descobrirmos: Qual é a verdadeira razão para a existência da TV Brasil? Antonio Brasil, até mesmo ele, afirmou não saber. “Não sei, mas talvez seja para criar empregos!”, disse rindo. Estamos perdidos!Voltamos a estaca zero!Visto que uma TV sem perspectivas, sem público, sem inovação,sem uma razão para existir, na verdade não é nada, nem mesmo televisão.


Dominique Wolton diria que a televisão só consegue exercer o seu papel comunicativo se há democracia. Talvez seja essa a razão do eminente fracasso da TV Brasil, o excesso de vangloria e a falta de participação do público, pois se nem mesmo o índice de audiência é levado em consideração, qual é afinal o critério para a seleção dos programas?O achismo?


Em uma época de tantas possibilidades comunicativas, a televisão tem que superar as expectativas do público para que ele se detenha a assistir sua programação. Assim, enquanto ele não puder se manifestar, dificilmente se identificará com a TV.


Uma TV Anacrônica


Por Amanda Freitas


No início desse mês, foi realizado em Brasília o “Encontro EBC: Diálogo com a Sociedade”, cujo debate “Conteúdo e Programação das Mídias Públicas” contou com a presença do jornalista e professor, Antônio Brasil. Esse encontrou deu fruto a um debate ministrado pelo mesmo, no dia 04 de Dezembro de 2009, na Faculdade de Comunicação Social da UERJ.


Nessa palestra foram abordados os motivos pelos quais a TV Pública brasileira, representada pela TV Brasil, é um fracasso. Segundo o professor, existe um mito em torno da TV Pública: “Existe um certo maniqueísmo entre a TV Pública que é boa, mas ninguém assiste e a TV má, que é a televisão comercial , que todo mundo atira pedra, mas assiste.”


A TV Brasil é uma rede de televisão pertencente a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e acaba de completar dos anos de existência. Para Brasil, ela deve deixar de ser vista como aliada do governo: “TV Pública não é TV Estatal” e passar a prestar serviços a sociedade, para afinal conseguir ter uma identidade.


Para se ter uma boa programação é preciso pesquisa, criatividade, experimentação e investimentos, características que não são encontradas na TV Pública brasileira. É justamente essa a falha da TV Brasil, que apresenta baixíssimos índices de audiências, Até o final do ano de 2008, a emissora tinha uma audiência de apenas 1%.


“A solução da TV Brasil é se transformar em voz do Brasil, eliminando assim, a concorrência” brinca o professor.


Futuro da TV Brasileira


Não é só a TV Pública que tem problemas com a audiência, para Antônio Brasil a TV aberta vem perdendo público ao longo dos anos. Hoje em dia investem muito mais por muito menos audiência. Essa TV generalista tem tendência a desaparecer dando espaço a TVs mais segmentadas, voltadas para nichos, que buscam o público de acordo com sua programação, como as TVs por assinatura. “Hoje em dia as pessoas só assistem o que lhes interessa”, afirma o jornalista. É nesse cenário, em que a TV da forma que conhecemos está com os dias contados, que surge a TV Brasil, apostando no sucesso de algo que está saindo de moda.


Brasil ainda fala sobre o surgimento de novas mídias de TV como a web TV e o youtube, que também prejudicam a TV aberta, já que com essas ferramentas a pessoa pode ver seu programa na hora que quiser, através da web.